pai (onde quer que estejas):
como sabes ainda não comprei o Borda d'Água, mas já consegui podar as roseiras todas do jardim. Fiz uma bolha grande na mão por causa da tesoura, sim, mas consegui!
Ah, e entretanto choveu. Perfeito!
sete cores
"One's real life is often the life that one does not lead" Oscar Wilde
16.1.12
escritas
Se eu escrevesse assim...
«Oh, que saudades do meu pai, e de ser pequenina, e de viver num Portugal se calhar tão pobre como este, mas sem nenhuma consciência disso. Que saudades de ir pela mão dele à Baixa ver as iluminações de Natal – que nesse tempo só lá é que as havia. Que bom tirar a fotografia com o Pai Natal à porta do Hotel Avenida Palace, escolher depois um presente na loja de brinquedos do italiano da Rua do Ouro e, em frente a uma montra cheia de chapéus-de-chuva, lanchar na Pastelaria Ferrari, onde havia batidos de ananás divinos e muitos espelhos para olhar o mundo. Oh, que saudades de ser criança e subir o Chiado pela mão do meu pai, de passar a loja de tecidos donde a minha mãe trazia amostras de fazendas de xadrez para os kilts da minha irmã e pedia descontos; e que bom era – afinal, o melhor momento do passeio – quando o meu pai, muito vaidoso, ia provar um fato novo cortado pelo alfaiate do Picadilly e eu podia esperar, sem medo de pedófilos, na Livraria Bertrand, onde metia o nariz nos livros e andava de sala em sala a ver tudo, como numa espécie de museu… Hoje, o País continua triste, e pobre, mas temos pronto-a-vestir e refrigerantes de lata; já não resta quase nada do que compunha essa viagem bonita, nem me resta o meu pai. A única coisa que tenho, apesar de tudo, ainda é a Bertrand.»
daqui
«Oh, que saudades do meu pai, e de ser pequenina, e de viver num Portugal se calhar tão pobre como este, mas sem nenhuma consciência disso. Que saudades de ir pela mão dele à Baixa ver as iluminações de Natal – que nesse tempo só lá é que as havia. Que bom tirar a fotografia com o Pai Natal à porta do Hotel Avenida Palace, escolher depois um presente na loja de brinquedos do italiano da Rua do Ouro e, em frente a uma montra cheia de chapéus-de-chuva, lanchar na Pastelaria Ferrari, onde havia batidos de ananás divinos e muitos espelhos para olhar o mundo. Oh, que saudades de ser criança e subir o Chiado pela mão do meu pai, de passar a loja de tecidos donde a minha mãe trazia amostras de fazendas de xadrez para os kilts da minha irmã e pedia descontos; e que bom era – afinal, o melhor momento do passeio – quando o meu pai, muito vaidoso, ia provar um fato novo cortado pelo alfaiate do Picadilly e eu podia esperar, sem medo de pedófilos, na Livraria Bertrand, onde metia o nariz nos livros e andava de sala em sala a ver tudo, como numa espécie de museu… Hoje, o País continua triste, e pobre, mas temos pronto-a-vestir e refrigerantes de lata; já não resta quase nada do que compunha essa viagem bonita, nem me resta o meu pai. A única coisa que tenho, apesar de tudo, ainda é a Bertrand.»
daqui
23.12.11
o Natal nunca acabará para mim
Este Natal a árvore da minha vida tem menos um grande amigo presente, mas tem mais uma luz a brilhar em qualquer parte...
18.12.11
6.12.11
até sempre
e ouviu-se um rouxinol a cantar...
que por fim voou livremente!!!
que por fim voou livremente!!!
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20.11.11
ninguém gosta de despedidas...
nasci porque tu quiseste mais que ninguém, logo devo-te a vida duas vezes...
ficam as tuas mãos que me pareciam enorme e reconfortantes.
fica a tua altura que me parecia exagerada porque não te podias ajoelhar.
ficam as férias em que sempre me levavas contigo para pôr "papeis" por data quando ías trabalhar.
ficam as sinfonias que ouvíamos em cassetes que já não existem: Rimsky-Korsakov (o teu preferido), junto com CHopin, Vivaldi e Tchaikovsky (os meus preferidos) e ainda Mozart e Strauss (amor partilhado desde cedo por ambos).
ficam os almoços que fazíamos sozinhos debaixo de alguma árvore frondosa, no verão, nalgum restaurante habitual, no Inverno, em que conversávamos como dois adultos.
fica o silêncio, que "é de ouro" e que me ensinaste a escutar até quase não poder mais, de tanto que me custava descobri-lo no meio da natureza (com tantos sons maravilhosos que tem).
ficam as aguarelas que pintavas tão excepcionalmente, inspirado em grandes mestres como Roque Gameiro ou António Salvador, com quem aprendeste tantas coisas: "ainda não podes ver, porque não está pronto", dizias...
ficam as surpresas que me fazias quando me aparecias aqui ou acolá para veres se me portava bem e eu nem percebia até à noite que me dizias ter estado a observar-me.
ficam todos os princípios (hoje tão raros de encontrar) que me transmitiste: a amizade verdadeira, a honestidade, a rectidão, a verticalidade e coerência entre muitos outros, que me sustêm.
ficam os bilhetinhos que guardavas ciosamente numa caixa sempre que te escrevia a agradecer a tua companhia e o teu amor.
fica a paixão pelos livros que de tantos que eram já os comprávamos às escondidas...
fica a cumplicidade que provocava ciúmes em muita gente e achavámos cómico.
ficam as conversas intermináveis sobre todos os assuntos da vida que realmente importam.
fica o amor pela estética que me transmitiste tão serenamente e quase sem eu dar por isso.
fica o apoio que esteve lá sempre que necessitei.
ficam tantas coisas que não cabem num texto muito menos num blogue qualquer que me lembrei de inventar...
fica a tua presença no meu coração que nunca poderá ser destruída por toda a eternidade.
ficam as minhas irmãs, minhas melhores amigas a partilharem comigo a dor de ter de abdicar de ti...
mas ficamos todos bem graças também a ti: filhas, genros, netos!
não estou preparada, porque não estamos nunca, mas...
já chega de sofrer,
podes partir em luz e em paz, Pai!
ficam as tuas mãos que me pareciam enorme e reconfortantes.
fica a tua altura que me parecia exagerada porque não te podias ajoelhar.
ficam as férias em que sempre me levavas contigo para pôr "papeis" por data quando ías trabalhar.
ficam as sinfonias que ouvíamos em cassetes que já não existem: Rimsky-Korsakov (o teu preferido), junto com CHopin, Vivaldi e Tchaikovsky (os meus preferidos) e ainda Mozart e Strauss (amor partilhado desde cedo por ambos).
ficam os almoços que fazíamos sozinhos debaixo de alguma árvore frondosa, no verão, nalgum restaurante habitual, no Inverno, em que conversávamos como dois adultos.
fica o silêncio, que "é de ouro" e que me ensinaste a escutar até quase não poder mais, de tanto que me custava descobri-lo no meio da natureza (com tantos sons maravilhosos que tem).
ficam as aguarelas que pintavas tão excepcionalmente, inspirado em grandes mestres como Roque Gameiro ou António Salvador, com quem aprendeste tantas coisas: "ainda não podes ver, porque não está pronto", dizias...
ficam as surpresas que me fazias quando me aparecias aqui ou acolá para veres se me portava bem e eu nem percebia até à noite que me dizias ter estado a observar-me.
ficam todos os princípios (hoje tão raros de encontrar) que me transmitiste: a amizade verdadeira, a honestidade, a rectidão, a verticalidade e coerência entre muitos outros, que me sustêm.
ficam os bilhetinhos que guardavas ciosamente numa caixa sempre que te escrevia a agradecer a tua companhia e o teu amor.
fica a paixão pelos livros que de tantos que eram já os comprávamos às escondidas...
fica a cumplicidade que provocava ciúmes em muita gente e achavámos cómico.
ficam as conversas intermináveis sobre todos os assuntos da vida que realmente importam.
fica o amor pela estética que me transmitiste tão serenamente e quase sem eu dar por isso.
fica o apoio que esteve lá sempre que necessitei.
ficam tantas coisas que não cabem num texto muito menos num blogue qualquer que me lembrei de inventar...
fica a tua presença no meu coração que nunca poderá ser destruída por toda a eternidade.
ficam as minhas irmãs, minhas melhores amigas a partilharem comigo a dor de ter de abdicar de ti...
mas ficamos todos bem graças também a ti: filhas, genros, netos!
não estou preparada, porque não estamos nunca, mas...
já chega de sofrer,
podes partir em luz e em paz, Pai!
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the end - até sempre
25.10.11
da vida
os hoteis são sítios cheios de vida que tal como as cidades que nunca dormem são altamente estimulantes...e por vezes cansativos...
14.10.11
felicidades (mesmo à distância)
a minha melhor amiga que eu tenho a sorte de ser também minha irmã faz hoje anos! uma maravilha. só falta um botão que me permitisse passar rapidamente tantos kilómetros.
estamos juntas dentro do coração e da alma que são os sítios mais seguros que conheço e eternos!
era só isto!
estamos juntas dentro do coração e da alma que são os sítios mais seguros que conheço e eternos!
era só isto!
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