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18.12.11
20.11.11
ninguém gosta de despedidas...
nasci porque tu quiseste mais que ninguém, logo devo-te a vida duas vezes...
ficam as tuas mãos que me pareciam enorme e reconfortantes.
fica a tua altura que me parecia exagerada porque não te podias ajoelhar.
ficam as férias em que sempre me levavas contigo para pôr "papeis" por data quando ías trabalhar.
ficam as sinfonias que ouvíamos em cassetes que já não existem: Rimsky-Korsakov (o teu preferido), junto com CHopin, Vivaldi e Tchaikovsky (os meus preferidos) e ainda Mozart e Strauss (amor partilhado desde cedo por ambos).
ficam os almoços que fazíamos sozinhos debaixo de alguma árvore frondosa, no verão, nalgum restaurante habitual, no Inverno, em que conversávamos como dois adultos.
fica o silêncio, que "é de ouro" e que me ensinaste a escutar até quase não poder mais, de tanto que me custava descobri-lo no meio da natureza (com tantos sons maravilhosos que tem).
ficam as aguarelas que pintavas tão excepcionalmente, inspirado em grandes mestres como Roque Gameiro ou António Salvador, com quem aprendeste tantas coisas: "ainda não podes ver, porque não está pronto", dizias...
ficam as surpresas que me fazias quando me aparecias aqui ou acolá para veres se me portava bem e eu nem percebia até à noite que me dizias ter estado a observar-me.
ficam todos os princípios (hoje tão raros de encontrar) que me transmitiste: a amizade verdadeira, a honestidade, a rectidão, a verticalidade e coerência entre muitos outros, que me sustêm.
ficam os bilhetinhos que guardavas ciosamente numa caixa sempre que te escrevia a agradecer a tua companhia e o teu amor.
fica a paixão pelos livros que de tantos que eram já os comprávamos às escondidas...
fica a cumplicidade que provocava ciúmes em muita gente e achavámos cómico.
ficam as conversas intermináveis sobre todos os assuntos da vida que realmente importam.
fica o amor pela estética que me transmitiste tão serenamente e quase sem eu dar por isso.
fica o apoio que esteve lá sempre que necessitei.
ficam tantas coisas que não cabem num texto muito menos num blogue qualquer que me lembrei de inventar...
fica a tua presença no meu coração que nunca poderá ser destruída por toda a eternidade.
ficam as minhas irmãs, minhas melhores amigas a partilharem comigo a dor de ter de abdicar de ti...
mas ficamos todos bem graças também a ti: filhas, genros, netos!
não estou preparada, porque não estamos nunca, mas...
já chega de sofrer,
podes partir em luz e em paz, Pai!
ficam as tuas mãos que me pareciam enorme e reconfortantes.
fica a tua altura que me parecia exagerada porque não te podias ajoelhar.
ficam as férias em que sempre me levavas contigo para pôr "papeis" por data quando ías trabalhar.
ficam as sinfonias que ouvíamos em cassetes que já não existem: Rimsky-Korsakov (o teu preferido), junto com CHopin, Vivaldi e Tchaikovsky (os meus preferidos) e ainda Mozart e Strauss (amor partilhado desde cedo por ambos).
ficam os almoços que fazíamos sozinhos debaixo de alguma árvore frondosa, no verão, nalgum restaurante habitual, no Inverno, em que conversávamos como dois adultos.
fica o silêncio, que "é de ouro" e que me ensinaste a escutar até quase não poder mais, de tanto que me custava descobri-lo no meio da natureza (com tantos sons maravilhosos que tem).
ficam as aguarelas que pintavas tão excepcionalmente, inspirado em grandes mestres como Roque Gameiro ou António Salvador, com quem aprendeste tantas coisas: "ainda não podes ver, porque não está pronto", dizias...
ficam as surpresas que me fazias quando me aparecias aqui ou acolá para veres se me portava bem e eu nem percebia até à noite que me dizias ter estado a observar-me.
ficam todos os princípios (hoje tão raros de encontrar) que me transmitiste: a amizade verdadeira, a honestidade, a rectidão, a verticalidade e coerência entre muitos outros, que me sustêm.
ficam os bilhetinhos que guardavas ciosamente numa caixa sempre que te escrevia a agradecer a tua companhia e o teu amor.
fica a paixão pelos livros que de tantos que eram já os comprávamos às escondidas...
fica a cumplicidade que provocava ciúmes em muita gente e achavámos cómico.
ficam as conversas intermináveis sobre todos os assuntos da vida que realmente importam.
fica o amor pela estética que me transmitiste tão serenamente e quase sem eu dar por isso.
fica o apoio que esteve lá sempre que necessitei.
ficam tantas coisas que não cabem num texto muito menos num blogue qualquer que me lembrei de inventar...
fica a tua presença no meu coração que nunca poderá ser destruída por toda a eternidade.
ficam as minhas irmãs, minhas melhores amigas a partilharem comigo a dor de ter de abdicar de ti...
mas ficamos todos bem graças também a ti: filhas, genros, netos!
não estou preparada, porque não estamos nunca, mas...
já chega de sofrer,
podes partir em luz e em paz, Pai!
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eu (não) sei explicar,
o meu mundo,
paixões assolapadas,
saudades,
the end - até sempre
7.7.11
acreditar
A minha filha hoje quando cheguei a casa disse-me que podemos ser o que quisermos!
Uma Maravilha!
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alegrias,
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sete cores
13.6.11
14.2.11
11.10.10
12.9.10
retomar
bom regresso! eu há cerca de um ano que também tendo para uma opção mais minimalista mas sem grande sucesso. devido às crianças (também) digo eu mas no fundo sabendo que tem existido uma dificuldade de libertar "coisas" que já só nos são inúteis e vão pesando e ganhando espaço.
para mim a rentreé começou com uma "alegada" rotura de ligamentos do deltóide do pé esquerdo que me impede de participar activamente no regresso às aulas (a cargo de um pai desavisado mas competente e conhecedor q.b.) , de um novo desafio profissional, das mais variadas lides domésticas e parentais e quem sabe até de compromissos sociais que não me chegam a participar... sorte ou azar depende sempre do ponto de vista!
mas embora as dores fortes me tenham impedido antes de aqui postar a partilha de sentimentos habitual, o certo é que aquando do regresso parece-me bem que até flutuarei em vez de andar...esta noite nos poucos momentos de sono profundo até sonhei que dançava...
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haja paciência,
trapalhadas
20.7.10
do amor
"El amor es un sentimiento vivo: nace, crece, madura, cambia con el tiempo. El nuestro ha evolucionado hacia una amistad. Una fuerte amistad. Y eso nunca se acaba. Siempre hay amor. Yo no sé que harán otros matrimonios: nosotros hablamos. Lo que mata el amor es el silencio. La falta de diálogo destruye las parejas. Hablar es clave. Aunque el uno esté de morros y el otro antipático, hay que hablar. Si tenemos que discutir, discutimos. Pero no dejamos que haya incomunicación , ni aislamiento. Hablando desaparecen los malentendidos, las dudas, las sombras..."
raínha Sofia (in El País)
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just for the thinking
2.6.10
nem sempre longe
demorava há dias a intenção de falar sobre a minha melhor amiga a quem comecei cedo a chamar mamã até ser consciente e remetê-la a seu verdadeiro nome: irmã. sendo que foi referência para mim do que deveria ter sido a (nossa) mãe verdadeira nas palavras e nas acções mais do que eu gostaria.
o convívio entre nós sempre foi pautado pelo carinho/amor inabalável sobretudo nos momentos menos bons de ambas as vidas. mas também e sempre nas vaidades e alegrias.
ainda não refeita da sua ida para viver lá longe (apesar da oportunidade para descobrir uma cidade absolutamente imperdível) todos os dias penso que daqui a nada virá bater à minha porta para me abraçar como só ela sabe e convidar para um café frugal. nada.
quando nos encontramos temos sempre presente a saudade no peito e a lágrima fácil que eu e apenas eu pretendo às vezes disfarçar. aí sim o tempo só se chama curto e ficam sempre mais de mil coisas por explicar. coisas do dia a dia que na ausência acabam por morrer.
neste momento está a voltar do outro lado do Atlântico para sua casa, não a minha, e isso ainda me cria o desconforto de a saber (duplamente) ausente.
é difícil adjectivar a história que temos de amizade que de tão verdadeira nem parece real. vai ao ponto do sofrimento físico chegar a ser partilhado, quais gémeas apenas de alma...
vivemos seguras no coração uma da outra (nem) sempre longe rendidas a horas intermináveis de telefone mas intrigadas pelos porquês de tal separação de vida que não nos perguntaram se queríamos.
viva o recomeço de cada dia que nos permite sempre acreditar que estaremos juntas outra vez nalgum momento, algures, cá ou lá mas sem sequer tocarmos nesse assunto, tão frágil.
e então o medo de perder o possível: a voz...
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saudades
5.5.10
sinais dos tempos...
26.3.10
9.3.10
11.2.10
náuseas
julgo que para o comum dos mortais é mais do que natural tomar decisões pelos filhos até que eles um dia o possam fazer conscientemente, mas a mim dá-me dores de cabeça, provoca-me tensão cervical e causa-me stress.
ter de tomar decisões por alguém (ainda que sejam os meus filhos) e decisões importantes (como se me está a ser pedido agora) que passam muitas vezes por que escola escolher ou outras de igual ou superior importância e repercussão na vida deles custa-me horrores. cada maluco com a sua.
a mim desagrada-me profundamente esta parte da vida maternal não sei bem se com demasiado medo de não acertar ou se apenas com uma tremenda angústia da expressão "superior interesse da criança" que me assola no pior sentido. não me custa assumir depois custa apenas decidir antes, o que em relação a mim mesma até costumo fazer depressa demais...
as pessoas sérias pensam, falam com quem sabe, indagam, lêem, enfim informam-se e tomam uma decisão. eu também tento fazer o mesmo mas com muitas dores de barriga, confesso.
nervoso miúdinho é o que é.
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sem querer agradar a ninguém
4.2.10
virada do avesso
tou farta de objectos.
anda a apetecer a esta pessoa que escreve virar-se contra si mesma e passar a ter uma casa totalmente minimalista, nada séc. XIX. marés...
1.2.10
(psic)análise
psicólogo(a) necessita-se para toda a gente cá de casa. excelente oportunidade de negócio. há questões a deslindar que renderão para comprar uma casa em cada capital da europa. nunca vi.
11.1.10
contradições (ou talvez não)
sou uma pessoa estranha. a minha única resolução de ano novo foi não tomar resoluções nenhumas. na realidade não me andam a apetecer tomar resoluções mas aceitar cada coisa que a vida proporciona. é uma opção como outra qualquer, mas tenho cosciência que todos os dias e a todo o momento estou a decidir coisas e tento (pelo menos as mais importantes) não o serem pecipitadamente.
entretanto como gosto de listas tenho andado a passar os olhos por algumas respeitantes ao ano que findou e há até quem já arrique a fazer as da década. não fiz ainda as minhas todas e não sei se as partiharei aqui porque até um blog pessoal tem os seus limites ;-) mas claro que a mais óbvia é a dos blogs que visito constante do meu google reader e que são bastante diversos na sua temática. da minha lista pessoal se deduz que:
adoro cozinhar mas não quero ter um food blog como por exemplo este (lindíssimo!) ou este que também acho inspirador
tenho preocupações e práticas que tentam diminuír a pegada ecológica cá de casa mas não terei nunca um eco blog como este
vivo no meio de livros mas chega-me terei um book blog embora me actualize aqui e aqui e ainda aqui
adoro cinema mas não faço me atrevo a fazer posts de filmes como fazia a caríssima wasted blues (que pena...)
gosto muito do estilo campestre na decoração e tenho uma casa no campo mas não inspiração suficiente para um blog destes ou destes
sou fã de pintura (sobretudo do sec.XIX como já se percebeu) mas não chego a ter um blog sobre pintura. por acaso não há assim um que me preecha aqui o vazio...
e sendo uma pessoa opinativa (já fui mais, confesso) mas não tenho a escrita daqui nem daqui
depois ha uns quantos blogs que sigo mas é difícil explicar porquê: uns porque me dizem algo ou quem os escreve talvez, outros porque me interessam do ponto de vista da curiosidade mas não acrescentam nada realmente importante à minha existência. e há ainda uns quantos que consulto por desfastio mas dos quais nunca retirei mais do que um sorriso ou outro de tanta "imaginação" que retratam para não lhe chamar outro nome. no fundo aprecio outras formas de pensar e como acredito em quase tudo até prova em contrário tento viver a apologia da diferença e ainda para mais este ano é o ano da Biodiversidade...get it?
6.1.10
listas
gosto muito de listas, por vezes faço-as compulsivamente (cada maluco com sua mania).
o Umberto Eco compreende-me o que me deixa muito mais descansada!
o Umberto Eco compreende-me o que me deixa muito mais descansada!
29.7.08
rescaldo férias (I)
uma viagem demorada. uma queridíssima irmã (de noite) à espera. um mar mediterrâneo fabuloso e amigo reencontrado. uma cidade fascinante. um carro com o motor para deitar ao lixo. um seguro no país natal a funcionar muitíssimo bem(!!!). um telemóvel perdido. um computador avariado. um jantar sem igual num restaurante inesquecível. um cunhado carinhoso e (já) cheio de cabelos brancos mas que vai ser avô mais uma vez. cheiros que se reconhecem. uma sobrinha a aprender a conduzir. um filho que anda de comboio pela primeira vez. uma rede de metro que realmente funciona. umas ramblas em "procissão" constante de milhões de pessoas. uma mudança radical de vida à conta de mudança profissional do peixe cá de casa. ansiedade. um pai a 300%. patatas bravas. chipirones. sol. chuva e sol logo outra vez. 70% humidade no ar. café com gelo. livros. praia até às 21h (com os intervalos devidos). gelados em forma de esparguete. um esquilo (verdadeiro) nas montanhas. um sobrinho emprestado que nasce com muita dificuldade lá longe e deixa a mãe bastante debilitada (ainda há médicos a fazer partos à século XIV...). que sejas bem-vindo meu querido M.! aflição, era preciso um abraço, urgente... um rent-a-car aborrecido. uma entorse num pé. rever Gaudí, Miró e outros (des)conhecidos. dez dias sem computador, sem televisão, sem noticiários, sem blog, sem media, de propósito. sabonetes artesanais. recordações incas. sul americanos a invadir a europa, é a chamada "lei do retorno"...compras a pedido. uma lição sobre presunto ibérico. um museu romântico com visita guiada pelo séc.XIX - Can LLopis para sempre em memória visual e a revisitar! algumas dezenas de banhos de mar. algumas dezenas de fotos. um regresso antecipado. um carro que chega depois de nós. postais escritos à mão e enviados pelo correio tradicional aos amigos. mimos. muitas novidades lá e cá. tudo a acontecer (demasiado?) depressa. fuets. um tio querido que nos deixa aos 83. lágrimas. reencontros. sorrisos. vidas postas em dia com a vida, com a morte. sonhos. pesadelos. sentir.
enfim, umas férias intensas e intensivas que como se vê se contam em duas palavras...
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10.7.08
3.7.08
amigos do peito
descobri quase por acaso que ontem o meu avô paterno faria anos, se fosse vivo, claro. não sabia bem a sua data de nascimento. não tive o privilégio de o conhecer, o que muito me desgosta e sei poucas coisas sobre ele já que faleceu novo, deixando à minha avó o que deve ter sido um pesado fardo de cinco filhos para acabar de encaminhar, dos quais o meu pai, sendo o mais novo tinha apenas 16 anos...
a saudade e o carinho com que se fala dele junto com uma aguarela do seu rosto (pintada pelo meu pai, de memória) que toda a vida me acompanhou na parede da sala lá de casa, faz com que sinta saudades do que não vivi, do que não ouvi, do que não partilhei, do colo onde não me sentei...no entanto, há como que uma paz naquele olhar que sempre me reconfortou. um olhar límpido nuns olhos claros que não herdei nem senti...vive na mesma, comigo, numa perseverante ausência, sempre presente...
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